EmMeio#16.0
AIDOJ
AIDOJ é uma obra de web arte criada por Fabio FON (Fábio Oliveira Nunes) que faz referência ao legado histórico de JODI, dupla composta por Joan Heemskerk e Dirk Paesmans, atuante em net art desde os anos 1990. Esta referência é empregada para investigar as dinâmicas de assimilação estética operadas através dos sistemas recentes de Inteligência Artificial. Estes sistemas, disponíveis na Internet, têm sido mote de muitas discussões acerca de seus impactos em processos de criação, inclusive com a geração de conteúdos que se inspiram em “estilos” de outros autores. Isso se aplica a imagens, textos e outras criações. Em diálogo com este contexto, então, é criada AI?O? (AI+JODI): uma obra de web arte composta por uma sequência de páginas HTML cujos códigos-fonte foram integralmente escritos por um sistema GPT, tendo JODI como inspiração. O método de interação com o robô é resumido em: primeiro, pede-se sugestões de experimentos inspirados nas criações da dupla; logo em seguida, pede-se um código HTML com base em uma dessas sugestões. Este método se repete 100 vezes, originando 100 diferentes páginas. Operando de forma similar aos sistemas de IA de texto para imagem, o robô cria experimentos que genericamente forjam um “estilo artístico” de Joan e Dirk. Porém, em um olhar mais atento, percebe-se como o caráter incisivo, potente e tecnologicamente visceral que caracterizam as obras da dupla é suavizado e contido – simplificado em padrões visuais ou interfaces que permitem alguma interação com o mouse. Assim, instiga-se uma reflexão acerca das dinâmicas das IAs sobre as dimensões mais “disruptivas” da arte: estariam os sistemas de inteligência artificial preparados para lidar com as estéticas mais subversivas? AI?O?, então, ao contrário de grande parte das atuais criações realizadas com inteligência artificial, não está voltada para as potencialidades da tecnologia na assimilação de um estilo artístico em particular, mas sim, para as limitações e fragilidades destes sistemas em compreender e operacionalizar obras artísticas contemporâneas em suas complexidades.