EmMeio#16.0

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Corpo-paisagem, da série O amor é queer ou um vídeo?




O amor é queer ou um vídeo? Investigo por meio de prática multimídia a possibilidade da categoria 'amor' existir enquanto uma conduta queer. Se o amor é uma categoria afetivo-econômica fundante da nucleação familiar monogâmica própria do capitalismo, é possível que se reverbere enquanto uma prática queer? Os questionamentos levantados aparecem como elementos instauradores de uma prática que emerge entre o autobiográfico e as reverberações de um processo queer mais ampliado. Proponho pensar o amor por meio da produção de imagens, em que um corpo sem território acha na paisagem em que o outro corpo desejado se encontra a possibilidade do amor. Um amor queer, em que materialidades são fluidas, falhas, sujas. Um amor queer que significa o encontro com o estranho nas paisagens que nos constituem. Uma sexualidade fora de lugar que espelha um corpo fora do seu lugar. Como proclama Agnés Vardá (2009), "se abrissemos as pessoas, encontraríamos paisagens". Essa série de polaroids foram feitas durante minha volta às paisagens amazônicas junto com meu marido estrangeiro, onde encontramos nesse território a necessidade de outras maneiras de relacionamento por meio do calor, da chuva, do diferente verde. Os filmes de polaroid, afetados pela umidade do clima amazônico, após revelados formam desenhos de mapas que localizam um amor queer na falha da visualização clara da paisagem, e o corpo se entremeia quase em camuflagem entre as pedras e a água. Esses trabalhos, portanto, exploram o corpo como afeto e a paisagem como território para além das heteronormatividades por meio de um corpo que é também descontextualizado no cenário exposto. Meu processo criativo dialoga com uma tradição de pinturas de cenas cotidianas com personagens queer masculinos, como nos trabalhos de David Hockney, Duncan Grant e Adriel Visoto.

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