EmMeio#16.0
Idiossincrasias
A video performance em questão se propõe a provocar uma reflexão sobre a ocupação humana no mundo e o impacto dessa presença no meio ambiente. Os fósforos, que ao serem acesos revelam sua curta duração, são uma metáfora poderosa tanto para a finitude da vida humana quanto para a fragilidade do meio ambiente. A obra se apropria da imagem dos fósforos para estabelecer conexões entre a temporalidade versus a fragilidade tanto da existência humana como do nosso planeta. O ato de riscar um fósforo passa a simbolizar não só a passagem do tempo, mas também o impacto destrutivo que nossas ações podem ter sobre o mundo natural. Cada fósforo aceso é um lembrete da efemeridade da nossa existência e do legado que deixamos para o futuro. Esse paralelo ressalta essa interconexão, sugerindo que o que acontece a um também afeta o outro. A ação de atear fogo ao objeto simboliza a transformação e a destruição, apontando para a necessidade urgente de repensar nossas ações e seu impacto no mundo ao nosso redor. O formato do vídeo, gravado em 1:1 de uma perspectiva em primeira pessoa, acrescenta uma camada crítica à compulsão contemporânea por compartilhar cada momento nas redes sociais, muitas vezes sem qualquer critério ou análise. Ao posicionar o espectador no ponto de vista do performer, a obra questiona a superficialidade da documentação incessante e a sua contribuição para o distanciamento em relação às questões ambientais. A crítica não é apenas sobre o conteúdo gerado, mas também sobre a forma como a tecnologia e as mídias sociais moldam nossas interações com o mundo.