EmMeio#16.0
Rostos em série
Partindo de questões autobiográficas, minha produção artística e acadêmica constrói-se mediante relações e reflexões que permeiam minha vida. Sendo assim, viso trazer essas questões que inicialmente são de uma perspectiva individual para o meio sociocultural, e, então, entender como são construídas essas relações e percepções que rodeiam minha experiência como pessoa afrodescendente brasileira. Nesse contexto, o vídeo “Rostos em série” aborda a relação de (des)cobrir-se como pessoa negra, em meio a uma vivência distante em relação à cultura, história e visualidade afro-brasileira. A série se desenvolve a partir das questões pessoais de se analisar, comparar e perceber a visualidade negra, visto a vivência distante, principalmente durante infância e adolescência junto a outras pessoas negras. Assim, o vídeo explora a transição de diferentes rostos negros. Os rostos que vemos em transição no vídeo foram gerados a partir de um autorretrato mesclado digitalmente a outras imagens geradas por inteligência artificial. Os prompts usados para gerar as imagens com a IA, seguiram características pessoais da autora, como idade, nacionalidade, região, tom de pele, entre outros. O intuito percebeu como a IA gerar visualmente essas características, fazendo esse paralelo aos questionamentos, analises e comparações que a autora aponta em relação a sua visualidade e a pertencimento junto a de outras pessoas negras. Nesse caso, a obra relaciona arte, questões étnico-raciais e tecnologia por subjetividades, onde a autora explora a sua experiência como pessoa negra brasileira nascida no interior do Rio Grande do Sul e suas camadas complexas que se sobrepõe, assim como os rostos apresentados no vídeo.